Economia - Em meio à crise e incertezas, consumo de orgânicos desacelera na França

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Fazia mais de cinco anos que o consumo de produtos orgânicos se consolidava na França: nos supermercados, sejam grandes ou de bairro, as prateleiras “bio" ganhavam cada vez mais espaço e variedade, ano após ano. Mas a pandemia de coronavírus colocou um freio nessa dinâmica. A crise e as incertezas quanto ao futuro fizeram os consumidores estarem menos dispostos a pagar mais caro para ter alimentos e produtos sem agrotóxicos. Lúcia Müzell, da RFI A alta continua, porém é menos robusta do que o planejado. O ministro francês da Agricultura, Julien Denormandie, reconheceu que o país não conseguirá atingir a meta de 15% da agricultura orgânica até 2022, diante do recuo da expansão que vinha ocorrendo nos últimos anos. Um estudo sobre a tendência para este mercado da consultoria Kantar constatou uma estagnação em 2020. Apenas 5,6% do orçamento alimentar das famílias foi gasto em orgânicos. "Os compradores sempre dizem que o preço é um freio, portanto o desafio é deixar claro que o investimento compensa. Ainda tem margem para ainda mais crescimento, sem dúvida”, explica a autora do relatório, Anne-Sophie Bielak. "Mas as instituições que gerenciam o selo orgânico deveriam insistir na comunicação sobre os benefícios tanto para a saúde, quanto para o meio ambiente. É isso que consolida a fidelidade dos compradores de orgânicos.” Entre o orgânico e o local, opção é pelo local No começo da pandemia, chegou-se a pensar que a crise seria uma oportunidade de crescimento ainda maior para o setor. As restrições de deslocamentos, os novos hábitos mais focados no consumo local, a maior disponibilidade para cozinhar em casa e a desconfiança em relação à segurança sanitária poderiam levar mais compradores a preferir os orgânicos, apesar do custo mais elevado em relação à agricultura tradicional. O que se viu, porém, foi que para os franceses, a origem do produto se mostrou mais importante do que o seu modo de produção, sem agrotóxicos. "Na França, tem uma forte ligação entre os consumidores e os agricultores, inclusive de apoio nos momentos de crise. Por isso a valorização da produção local é muito importante. Entre comprar um produto local e um orgânico que vem do outro lado do mundo, o francês ainda tem dificuldade em preferir o segundo”, observa Karin Perrot, especialista em consumo e uma das autoras de um estudo da Kantar Insights em 11 países, sobre as expectativas dos consumidores quanto à alimentação. Além disso, ao fazer mais refeições em casa, o consumidor tem a impressão de que a conta do supermercado explodiu. Por isso, os cortes para equilibrar os gastos visam os produtos considerados mais luxuosos, como os orgânicos. Outro fator que influenciou neste contexto é a diminuição da circulação, inclusive para o consumo. Com saídas limitadas de casa por conta da pandemia, muitos consumidores optaram por comprar todos os alimentos em um só lugar – onde os preços dos orgânicos costumam ser mais elevados do que nas butiques especializadas. "Isso não favorece nem um pouco os orgânicos. O crescimento dos últimos anos ocorreu por um aumento da frequência de compras em uma semana. Esse efeito conjuntural da pandemia, de irmos menos às compras e termos de comprar em grandes quantidades, é contrária à dinâmica dos orgânicos”, frisa Bielak. "Por outro lado, não esqueçamos: praticamente todo mundo compra orgânicos hoje na França. A penetração deles nas famílias é de 98% – mas em quantidades ainda pequenas.” Paralisação de novas adesões A Interfel, que representa o setor de frutas e legumes, observou um aumento de 4,5% das vendas de orgânicos em 2020, quase a metade da média registrada nos anos anteriores. A nova conjuntura obriga o setor a se adaptar. O jornal Le Figaro mostrou que os produtores que planejavam transformar a produção em orgânica ou estavam em vias de adquirir o selo, após três anos de adaptação, estão sendo incitados a esperar a tempestade da Covid-19 passar. No caso do leite, a determinação é paralisar as novas conversões, enquanto a produção atual não é absorvida pelo mercado. A líder deste setor na França, Lactel, teve alta de apenas 0,4% no ano passado. Para os clientes que não abrem mão de comer sem traços de agrotóxicos, a opção é ir atrás de uma solução mais em conta, como as cooperativas ou mercados que revendem os alimentos direto dos produtores, como a rede Naturenville. "Os novos clientes chegam pelo boca a boca. O segredo é conseguir encontrar pequenos mercados como nós, que vendemos direto dos produtores”, afirma Sébastien, gerente de uma das lojas em Paris. "Durante a pandemia, conseguimos fidelizar a nossa clientela e não tivemos queda. Até ganhamos mais clientes.” Conforme a Agence Bio, braço do governo francês para incentivar o desenvolvimento do setor, as culturas orgânicas ocupavam 8,5% da superfície agrícola do país em dezembro de 2019. A nova meta é chegar a 13% no ano que vem – o que significará 50% a mais do que a França registrava em 2017. Consultada, a Federação Francesa de Agricultura Orgânica (Fnab, na sigla em francês), preferiu não participar desta reportagem.

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